Colo inclinado

Colo inclinado

Lopes c. de la rocha

IMG_2837Imagem coleção lar. Casa Nacional do Livro, anos 60.

 

Enfiaram-se no meio de passageiros apertados num daqueles ônibus azuizinhos. No meio de gente de toda cor e caráter seguiram rumo ao centro duma Belo Horizonte. E ponto final. Treze de junho de 2017.

No abrigo rodoviário, quase uma tenda de tão vandalizado, peguei o casal no meio da conversa. Com o colo balançando dizia o homem com voz pulante:

___ Não sei de que feriado é depois d’amanhã…

Olhei-os naturalmente e rompi entregando um alegre bom dia. A mulher estranhou e sorriu. Então intrometi de vez:

___ É de Corpus Christi!

___ Aé…coisa de morto, essas coisas de acender vela, né?

___ Celebramos o sacramento do Corpo de Cristo. Feriado do calendário cristão. Dia santo. Vocês não são cristãos?

Nisso o ônibus veio freando para apanhá-los. Trocaram rapidamente a criança de colo…olhando para trás, arregalada, a mulher respondeu apenas por ela:

___ Eu não.

E partiram para o embarque.

___Vão com Deus __ eu disse.

Ao levantar a perna direita para subir no degrau, o colo inclinou levemente, bateu uma brisa na manta e o rosto da criança se descobriu. Se não era, pareceu-me um menino homem. De olhos fechados, o pequenino abriu-me o semblante e um sorriso. Entendi que havia me respondido:

___Amém. Fique com Deus também.

 

 

Conto dos Nupes

O Crânio falante

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Um caçador vai para a mata. Encontra um crânio humano antigo. O caçador pergunta:

__ O que trouxe você aqui?

__ Falar é o que me trouxe aqui __ responde o crânio.

O caçador sai correndo. Vai procurar o rei. Depois de o encontrar, diz:

__ Encontrei um crânio humano na mata. Ele pergunta como estão seu pai e sua mãe.

__ Nunca, desde que minha mãe me deu à luz, ouvi falar de um crânio morto capaz de falar __ diz o rei.

 

O rei manda chamar o álcali, o saba e o degi (juiz muçulmano) e pergunta-lhes se já ouviram falar de algo parecido. Nenhum dos sábios tinha ouvido falar naquilo, e eles resolvem mandar um guarda com o caçador à mata para descobrir se a história era verdadeira e, se fosse, saber qual a explicação para ela. O guarda acompanha o caçador à mata com ordem de mata-lo ali mesmo se tivesse mentido. Os dois encontram o crânio. O caçador dirige-se ao crânio:

__ Fale crânio.

O crânio mantém-se em silêncio. O caçador faz a mesma pergunta de antes:

__ O que trouxe você aqui?

O crânio não responde. Durante todo o dia, o caçador implora ao crânio que fale, mas ele não responde. À noite o guarda pede ao caçador que faça o crânio falar e, como ele não consegue, o mata de acordo com a ordem do rei. Depois que o guarda vai embora, o crânio abre as mandíbulas e pergunta à cabeça do caçador morto:

__  O que trouxe você aqui?

__ Falar é o que me trouxe aqui __ responde a cabeça do caçador morto.

 

Contos Folclóricos Nupes. A Gênese Africana: contos, mitos e lendas da África. Leo Frobenius e Douglas C. Fox. Tradução de Dinah de Abreu Azevedo. SP. Martin Claret, 2010.
 

O Sino de Ouro

O SINO DE OURO

Júlia Lopes de Almeida

 

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Maria Matilde tinha um sonho: fazer construir rente à baía de São Marcos, na sua linda cidade de São Luís do Maranhão, uma torre alta, muito alta, encimada por um enorme sino de ouro com os nomes de todos os Estados do Brasil, formados com pedras preciosas. Quando o sino badalasse, reboaria na atmosfera as suas sonoridades, acompanhadas pelo ritmo das ondas, e, quando os astros o iluminassem, rutilaria no espaço esplendidamente.

 

Mas a velha parecia não ter um vintém de seu.

 

Morava num casebre em ruínas, vestia-se de trapos imundos, comia só raízes e ervas do mato e bebia água na concha da mão encarquilhada e ossuda. Não tinha dinheiro para as necessidades da vida, porque, se lhe davam uma esmola, ela corria a escondê-la para __o sino de ouro__, e ia iludir a fome com os sobejos atirados pela caridade, ou um rabo de peixe chupado à porta de um pescador. Ninguém o sabia, mas o seu colchão estava já tão cheio de moedas que lhe magoava o corpo miserável, a ponto de preferir estender-se no chão duro, sobre uma esteira esgarçada.

 

Já tinha a sua idéia fixa, e para realizá-la seria precisa uma fortuna! A sua tôrre de ouro, com um sino cravejado de pedras preciosas, maravilharia o mundo inteiro…. Em casa ou na rua a visionária falava só, gesticulando, movendo no ar os dedos nodosos, de unhas grandes.

 

As crianças fugiam atropeladamente ao ver-lhe, de longe, o busto esguio; os adultos afastavam-se daquela imundície, e ela, passava sem ver ninguém, resmungando: — Quando o sino de ouro fizer: Ba-ba-la-ão! Ba-ba-la-ão! todo mundo dirá: “É o coração do Brasil que está batendo… Que lindo é e como bate bem!” E ela ria-se, sacudindo os longos braços magros, a repetir pelas ruas sossegadas: — O coração do Brasil está parado…. Quero fazê-lo palpitar com força… Ba-ba-la-ão! Dão! Dão!

 

Na noite de chuva e de relâmpagos, Maria Matilde chegou encharcada e tremendo com o frio da febre à sua choça; mas, logo ao entrar, esbarrou com uma pobre rapariga da vizinhança, que se ajoelhou chorando a seus pés!

 

Qual não foi o seu espanto! Se ninguém a procurava nunca…. Uns tinham medo da sua morada de louca, supunham-na outros feiticeira, o diabo em pessoa.

 

Ela parou no umbral, estarrecida; a outra exclamou de mãos postas:

 

— Maria Matilde, tem dó de mim! Minha madrasta, aquela má mulher, expulsou-me de casa e aos meus irmãozinhos, que foram mendigar por essas ruas quase nus…. É por eles que eu choro. Dá-me um filtro, Maria Matilde, para abrandar o coração de minha madrasta e fazer que meu pai abra a sua porta aos filhos pequeninos, que são inocentes e estão passando fome, sofrendo frio, com medo do escuro, por essas praias.
Se for preciso o meu sangue para salvar os anjinhos, toma-o! Abre-me as veias, aqui tens o meu corpo!

 

E a moça desnudava-se oferecendo os pulsos e o colo sùplicemente.

 

Maria Matilde, de olhos arregalados, dobrou-se toda sobre a linda cabeça da moça:
— Darás a vida por teus irmãos?
— Darei a vida!
— Jura?

 

— Juro! Aqui me tens, mata-me, se para bem deles a minha morte for precisa. Dizem que és feiticeira, mas o que tu és é surda! Não prolongues a agonia de meus irmãos, Maria Matilde! Aqui me tens!

 

A velha considerou a rapariga com espanto, depois, rapidamente, correu ao catre, sumiu as mãos trigueiras nos rasgões da enxêrga e atirou punhados de moedas, vertiginosamente, para o regaço da moça estupefata.

 

— Teus irmãos estão nus? Toma, vai comprar agasalho para eles! Têm fome? Dá-lhes pão…muito pão…. Toma! Toma! Toma! Vai para junto deles, boa irmã, vai com Deus!

 

A moça aparava aquelas moedas inesperadas num delírio de felicidade. A velha deu-lhe tudo, tudo, depois empurrou-a violentamente pela porta fora, fechou-se por dentro e desatou a chorar.

 

Como haveria ela agora de comprar o sino de ouro e construir a sua alta torre rutilante? Teria de recomeçar pelo primeiro vintém, e as costas doíam-lhe tanto… tanto! Ao menos nessa noite poderia dormir sobre o seu colchão… O que a fazia tremer eram aquelas cobrinhas de gelo que andavam a passear pela sua espinha… A cabeça estava-lhe girando…

 

Era a febre! Maria Matilde debateu-se toda a santa noite, com os lábios secos, os olhos em fogo, as roupas unidas aos membros doloridos.

 

Pela madrugada serenou e rompia a manhã gloriosa, quando ela ouviu a voz dulcíssima de um anjo dizer-lhe à cabeceira:

 

— Construíste esta noite a tua torre e por ela subirás ao céu!
Maria Matilde atirou para fora do catre as pernas finas, aconchegou aos rins os molambos da saia, aos ombros os farrapos de um xale e correu ansiosa para a praia.

 

A cidade dormia ainda; só os passarinhos despertavam cantando. No largo mar azul o sol nascente espelhava uma coluna de ouro tão larga e tão longa que ninguém poderia calcular-lhe as dimensões.

 

No ar voavam gaivotas até além, às nuvens de ametistas e de rubis, que engrinaldavam no horizonte a torre deslumbrante. Era a pedraria do sino que reluzia! Sumindo nela os olhos felizes e fascinados, Maria Matilde sacudiu os longos braços, gritando vitoriosa, antes de cair redondamente na areia fria:

 

— Ba-ba-la-ão! Ba-ba-la-ão! Dão… Da…dão…

 

Quando a miragem do sol se desfez, já a louca tinha subido pela torre de ouro até o céu!

 

 

 

Vocabulário
Encarquilhada (adj.): enrugada
Sobejo (s.m): resto
Nodoso (adj.): cheio de nós, proeminente
Esguio (adj.): alto e delgado; comprido e delgado
Filtro (s.m): beberagem de fins supersticiosos
Catre (s.m): leito tôsco e pobre
Trigueiro (adj.): moreno
Enxêrga (s.m): colchão de palha muito estreito
Regaço (s.m): colo
Estupefato (adj.): espantado, admirado
Ametista (s.f): pedra semipreciosa
Errata leitura em áudio
5º Parágrafo: “fizer”
12º Parágrafo: “sùplicemente”
18º Parágrafo: “aos membros doloridos” e não “a um dos membros doloridos”
21º Parágrafo: “aconchegou aos rins” e não “aconchegou-se aos rins”
23º Parágrafo: “areia fria” e não “areia fina”

Versão retirada da obra Conheça o seu Idioma, de Osmar Barbosa. CIL. SP. 1971. P. 123.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maracujá, flôr da Paixão

Maracujá, flôr da Paixão

Flor da paixão

Além de sua família, vovó adora também plantas, animais, crianças e poesia. Na verdade, ela adora tudo o que é bonito, ela diz que é “fã da beleza”, seja a beleza material, seja a espiritual. Ela é capaz de ficar horas e horas admirando uma flor, olhando para o céu estrelado ou ouvindo o canto de um pássaro, como é capaz também de chorar de pura emoção ao ouvir contar de um gesto nobre, de um esforço sincero ou de um gesto de amor ou de perdão.

Agora, o que ela gosta mais do que tudo é de escrever, contar estórias, e principalmente, de fazer poesias. Todos os netos já têm uma poesia sua. No fundo do quintal há um grande caramanchão de palha por onde sobe um lindo pé de maracujá. Uma vez, quando ele estava todo em flor, vovó mostrou essa flor, também chamada “flor da Paixão”, é estranha e linda. Ela dá na época da Quaresma, é roxa como a Paixão, e tem todos os símbolos do sofrimento de Cristo: a coroa de espinhos, a cruz, os cravos com que ele foi pregado e a lança que abriu seu lado esquerdo. É uma verdadeira jóia da natureza.

Lá nesse caramanchão, de vez em quando, vovó gosta de reunir os netos e contar-lhes estórias; às vezes são estórias de imaginação e fantasia, com aventuras de fadas e bruxas, outras são estórias verdadeiras, “casos” acontecidos de verdade, que são igualmente interessantes. Aliás, ela diz que a verdade é mais extraordinária que a ficção, que as coisas mais assombrosas e mais incríveis não são tiradas da fantasia e, sim, da realidade…

Maria Alice Penna de Azevedo, “Domingo é dia de folclore”. Introdução. Sobre Vovó Lita. P.6. Editora Paulinas. 1988.

A alma du’a mulher na beira do rio

A alma du’a mulher na beira do rio

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História contada por habitantes da cidade de Leandro Ferreira/MG, numa região próxima à fazenda conhecida como “Fazenda do Souza”, isso por volta de 1955. Voz da gravação: Dulce Francisca Lopes Cançado Lobato.

Coração de pai

Coração de pai

Lopes Cançado de la rocha

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CERTA feita, um texto meu foi criando rabo. Eu fiquei meio sem saber o que fazer. Deixei-o dentro dum caderno, sob outros cadernos, livros e apostilas. Com o correr do tempo, resolvi procurá-lo. Achei. Havia já perdido o rabo e criado pernas. Aquilo me estarreceu completamente. Assombrado deveras fiquei quando me percebi focado por um punhado de olhinhos. Cada letra “o” era um. Aspas eram cílios. O diabinho desgramou a pirraçar. “Contraíra doença de livros”, pensei, “ e agora?”

Patinhas como as dos antiguíssimos peixes não se demoraram. Teve a quem puxar quanto as orelhas. Eram idênticas às das minhas agendas; e quão idênticas! Testa quadrada, estilo margem superior de papel almaço; e a pele meio que com rugas de papel reciclado artesanalmente.

Verdadeiro espetáculo da evolução gráfica. Seu engatinhar era a coisa mais linda, a vontade de caminhar nem me falo: passos trêmulos sobre a pauta. “Que lindinho!”, diria algum tio solteirão.

Fez golfar alguma tinta. Pirraça. Fez sem vontade, quase não fazendo, e disparou – ao que me pareceu – a rezar idéias. “Donde vêm suas prévias concepções?”, perguntei-me. “Donde vêm? Poucos objetos ao seu dispor, quase nada familiarizado com sons ou sinais, nem tampouco com arranjos e convenções. Como pode isso gente?!”. Não era possível. Não poderia haver naquela criatura nenhum pensamento. Talvez alguma longínqua memória de outras encarnações, isto é, “encadernações”.

Veio à hora em que ele se atreveu. Deu para falar – pelas entrelinhas – disparates jamais ensinados por mim. O bichinho foi crescendo e a coisa se complicando.

Deixei aquelas jabuticabinhas mágicas olharem-me por algumas noites. Não conseguia acreditar no que tinha inventado ou no que havia permitido inventar-se. E a cria foi necessitando criação, correção e, é claro, outros companheiros textuais. Pedia argumentos contrários a fim de se debater, de se repensar. Repetia em defeituosa dicção e de maneira infeliz: “_Sinto-me inadequado, principalmente quando sonho com meus antepassados. Fico sem assunto às vezes.”

Senti o amor e a compaixão que se dá entre pai e filho. Tinha a obrigação de recuperar a dignidade do meu rebento.

Desesperado, eu recorria aos esquemas e mecanismos e técnicas. Ordenava ao tubo cilíndrico da caneta, contudo não havia mais carga. Em pouco, a esfera não deslizava ao campo branco. Eu chacoalhava, esquentava o acrílico e nada; e soprava pela tampa, e outra vez nada. Cheguei a ver, mediante a translucidez do tubo, algum vestígio de letras. Pura ilusão! É essa coisa do operário ver no instrumento alguma esperança de trabalho.

O filhote me dizia: “Eu não pedi pra nascer!”. Eu respondia de chapa: “Não valeu à pena trazer-lhe à luz da página! ”. Passamos a andar a tapas e aos cuspes. Teria eu de parar por ali mesmo. Então eu disse por fim:

“Respeita seu pai, menino! É uma coisa ou outra: ou você volta para entre os maços da gaveta, ou vai morar na rua! ”

 

O caso da ferramenta

Cristiano Lopes C. de la RochaFoto0538

Peça rara é um desses senhores joviais disputado por solteironas na mesa do bar. É o sô Germano.

Ele tem seu jeito saboroso de contar histórias fazendo boca boa cheia d’água, pausando quando uma buzina rompe a conversa, pedindo aos ouvintes para ajudá-lo a retomar o ponto em que parou e, como se exige dum bom contador, dando a merecida importância ao passado e às vidas que já se foram. Sem pressa e bem compassado. É o porto seguro aos nossos ouvidos, pois pouco se diz do presente e menos ainda do futuro.

Nessa última noite de São João, o sô Germano nos contou um caso para aquietar os que não suportam desaforados prejuízos de forma alguma. Adiante as palavras são dele:

Em 1980 ganhei uma ferramenta não sei se alemã ou dos Estados Unidos. Só sei que…algum dos meninos lá de casa a emprestou para outro alguém da vizinhança e se esqueceu. O tomador também não se alembrou de devolver e assim ficou. Como dizia mamãe lá na época da roça: “quando é assim, amarra no rabo do capeta e esquece”. Foi o que eu fiz.

Depois duns mais ou menos quinze anos eu precisei duma chave para sanar um vazamento lá em casa. Comentei da precisão e uma vizinha ouviu. Ela entrou correndo para casa dela…, mas correndo mesmo como quem corre para socorrer. E voltou com a cara meio que indecisa ou até meio arrependida. E alguma coisa na mão. “Olha essa daqui sô Germano, vê se essa te serve”. Era, por essa luz que me ilumina, a chave que eu tinha ganhado em 1980.Tanto era que estava lá no cabo a marca dum desgaste provando ser mais minha ainda. “Mas vou dizer uma coisa”, continuou ela, “empresto só porque é para o senhor; se fosse para outro, jamais. Só peço, se o senhor não se importa senhor Germano, que tenha muito cuidado no uso”, disse a dona com aquela mais pura inocência e verdadeiramente sentida, sabe? “ Porque essa ferramenta é a coisa que mais me faz lembrar do meu filho. Deus o tenha…” e olhou para o chão ao invés de olhar para o céu.

Então eu disse: “não dona…, não quero incomodar preocupando a senhora, deixa que arrumo um jeito ali com fulano e coisa e tal”…né? A dona, mesmo assim, insistiu que eu tomasse emprestado dizendo inclusive que se seu filho estivesse vivo seria eu a única pessoa da rua a quem ele emprestaria. E por fim pediu, quase que se humilhando, que eu aceitasse a ajuda por consideração à família, meio que em memória do falecido.

Fiquei tão desapontado que peguei a ferramenta já agradecendo de antemão, fiz o reparo mais que depressa e devolvi antes do almoço, agradecendo também no ato da devolução. À noite rezei três vezes a Ave Maria e cinco vezes o Pai Nosso pela alma do filho e pela bondade da mãe.

Cristiano Lopes Cançado de la Rocha, escritor e compositor de Santa Luzia,MG, Brasil. Publicou “poemas e canções” em 2001 (independente e auto-financiado), “à espreita da aurora” em 2014 (coleção de canções na internet ) e  atualmente trabalha em dois projetos artísticos: finalização de seu 2º álbum virtual de canções e manutenção desse site.