Auto-retrato [poema]

Auto-retrato

Vim à luz em Bhz, foi lá que’u me rebentei

Em julho, setenta e sete, foi bem naquele ano

No Santa Efigência, maternidade d’Otaviano

Vim berrando, preocupando e assim cheguei.

Pequeno, franzino, de coraçãozinho imperfeito

Talvez por não ser menina mi’a mãe ter ganho

Por não atender já na chegada o sonho d’alguém

Mas o estouro vívido firmou: Deus já tinha feito.

Depois de aceito com amor, em Luzia eu cresci

Quando menino, quando jovem aqui me iluminei

Busquei rumos, horizontes e hoje estou aqui.

Muito na humanidade, canceriano é u’a chatice:

Às vezes fere a amizade querendo fazer o bem

Envelhece na infância e menina-se na velhice.

L. al’c. Rocha, o Cristiano

Nota: Nasci no inusitado dia 07/07/77, com sôpro inocente no coração, no bairro de Santa Efigênia , em Belo Horizonte. Minha mãe, que na época não acessou ultrassonografia, torcia por menina. Cresci na parte baixa da cidade histórica de Santa Luzia/MG.

Ama, para que, assim, sejas amado…

José Martins Fontes

Ama, para que, assim, sejas amado…

Se queres ser amado, ama primeiro,

Faze-te amar, amando com ternura,

Pois só merece a graça da ventura

Quem for capaz de um culto verdadeiro.

Sem raízes profundas no canteiro,

Em teu jardim nenhuma flor perdura.

É preciso que a terra seja pura,

Para viçar, florindo, o jasmineiro.

Sob a sideração do amor fulmíneo,

Pode estar crente todo enamorado,

Que há de se realizar seu vaticínio.

Quem for constante, sendo delicado,

Pelo espírito alcança o predomínio,

Sabendo amar, para que seja amado.