O dom de criar, contar e escrever histórias (entrevista especial com Rosilene Alves)


Rosilene Alves nasceu em Sabará (Minas Gerais), iniciou os estudos no Grupo Escolar Cristiano Guimarães, depois na Escola Estadual Professor Zoroastro Viana Passos, onde aos 12 anos, ganhou o prêmio de melhor redação da escola e lhe foi conferido a medalha de honra ao mérito. Aos 15 anos mudou- se com a família para Belo Horizonte e estudou na Escola Estadual Melo Viana, no Bairro Carlos Prates, onde por diversas vezes teve suas redações expostas no mural como melhor redação da escola, e, foi neste ambiente escolar que conheceu sua grande incentivadora, a professora de português, Ofélia Vianna Schettini, que ao perceber em suas expressões uma veia literária, a encorajou a continuar escrevendo, e disse não ter dúvidas de que um dia se tornaria escritora.
Alimentando-se deste propósito, não parou de escrever, tendo como inspiração as lembranças da infância, fantasia e o cotidiano, retratados em personagens diversos.
Rosilene, conte-nos mais sobre a redação premiada aos 12 anos, sobre a professora Ofélia… sua infância, a escola, as brincadeiras, a vida em família.
A professora de história, sem que os alunos soubessem, promoveu um concurso literário com o tema “O Brasil que queremos”. Por se tratar de futuro, deveríamos colocar nossos sonhos e expectativas, além evidentemente de falarmos sobre o que gostávamos no Brasil atual. Eu falei sobre sonhos, oportunidades e, como estava iniciando o conhecimento em política, resolvi abordar também esse tema. Em setembro daquele ano, em comemoração à independência do Brasil, ela anunciou os vencedores. Naquela época, por ser muito jovem, não entendi que tinha ficado em primeiro lugar, achei que tinha ficado em terceiro, pois fui a última a ser chamada para ler a redação para o público que nos assistia. Em seguida a professora me deu a honra de hastear a bandeira do Brasil, pensei ser pelo fato de já estar em cima do palco. Estranhei muito quando desci, pois, professores e alunos me parabenizavam. Fui para casa com uma medalha de honra ao mérito banhada a ouro.Descobri anos depois que fiquei em primeiro lugar e só assim entendi o que aconteceu naquele dia.
A professora Ofélia, era muito séria, pouco interagia com os alunos, porém dedicada,estava sempre a disposição para sanar as dúvidas dos alunos, ninguém ficava sem resposta. Ela tinha como hábito, ensinar usando uma única frase como exemplo para tudo “O lenhador derrubou a árvore”. Um dia, cansados desta frase reclamamos e ela mudou para “A árvore foi cortada pelo lenhador”, depois rindo,contou- nos que a frase não era dela e sim do seu professor na faculdade. Estudei com ela no ano de 1983/84 no colégio Melo Vianna no bairro Carlos Prates em Belo Horizonte, lá ela introduziu o hábito de redações, que no início era a cada quinze dias para suas turmas, depois,se juntou a outros professores e passaram a aplicá-las uma vez por mês a todas as turmas e os professores escolhiam as melhores, que eram expostas no mural da escola. A minha participação no mural era freqüente, despertando a atenção dos professores que vinham me cumprimentar e me encorajar a continuar escrevendo. Certa vez, Ofélia se dirigiu a mim e falou que eu tinha uma veia literária rara, podendo dissertar sobre vários temas e me encorajou a seguir carreira literária. Sou-lhe muito grata por isso e, em todos os livros que eu publicar, há de constar uma dedicatória a ela.
Embora tudo tenha acontecido no mesmo período, eu divido a minha infância em duas fases.
A primeira foi maravilhosa, nasci em Sabará e morava numa vila chamada Santa Cruz. A vila foi construída pela companhia Siderúrgica Belgo Mineira, para abrigar seus funcionários. Eu morava na Rua Caratinga, em frente a um parque de diversão, também construído pela empresa, com diversos brinquedos, numa grande área verde, onde pude desfrutar com grande alegria de brincadeiras ao lado das crianças vizinhas, ou que passeavam pelo parque. Além disso, a companhia siderúrgica construiu para seus funcionários que se associavam por um valor irrisório, um clube esportivo chamado Clube Caça e Pesca, onde além de piscina, quadra de vôlei e campo de futebol, tinha uma grande área de confraternização, com dois enormes galpões cobertos com sapê. Alguns brinquedos, árvores frutíferas e tinha também diversos animais em grandes viveiros e jaulas, além de peixes ornamentais num pequeno riacho que corria livremente pelo clube, sendo construídas sobre ele três pequenas pontes em pontos estratégicos. Aos finais de ano, por ocasião do Natal, eram sorteados brinquedos aos filhos dos sócios e certa vez, ganhei uma bicicleta. Tudo isso ajudou para que hoje eu tenha algo bom para contar.
Todas as crianças da Vila estudavam na mesma escola, também construída pela então Belgo Mineira, assim, acompanhávamos nossos pares também na escola. À noite, com o parque escuro, brincávamos na rua, o importante era não parar de brincar.
A segunda fase exigiu de mim bastante criatividade e sensibilidade para desenvolver o senso de justiça, empatia e uma habilidade de observação, que foram significativos para sobreviver à tortura, humilhação, violência física e psicológica sofridas em casa. A minha força e capacidade de sobreviver num ambiente hostil, contou com a ajuda e aconchego de várias famílias vizinhas. Hoje percebo que elas me deram não apenas esperanças, mas também confiança, que, somados à minha maturidade e conhecimento, geram inspiração e vontade de escrever sobre temas que precisam de conscientização, já que o público infantil desperta em mim grande senso de proteção à infância.
Sobre contação e criação de histórias para as crianças. Você fazia questão de escolher algum lugar mais propício para se contar as histórias aos pequenos? Ou não fazia muita questão do ambiente?
Geralmente contava as histórias aos meus filhos à noite, no quarto, antes deles dormirem, por ser o momento de relaxamento em que eu disponibilizava de mais tempo, mas, o ambiente não importa se a criança demonstrar interesse na história.
Como você via a participação das crianças,a interação com o pai e os demais membros da família? Há algum caso inusitado que você poderia partilhar conosco?Digamos, alguma lição aprendida sobre personagens ou a reação de alguma criança para com determinada história?
As crianças prestavam muita atenção no que eu estava criando e, muitas vezes, ao final, pediam para que eu criasse outra história. Por esse motivo, nasceram vários contos infantis. A partir disso, tomei como hábito ler minhas histórias, não apenas para os meus filhos, mas, para outras crianças antes de defini-las como terminadas, a fim de ver suas reações e ouvir suas opiniões, para me adequar melhor ao seu mundo imaginário, mesmo tendo buscado em minhas memórias, lembranças da infância e as introduzido nos personagens.
O pai de meus filhos também tinha talento literário e algumas vezes me substituiu na incansável busca pela criação de contos, porém faleceu antes de escrever suas histórias.
Dois fatos inusitados em relação ao meu livro, o primeiro, foi quando recebi de uma amiga uma postagem de uma criança de São Paulo indicando o meu livro por considerá-lo muito bom e dizendo que o livro trazia muitos ensinamentos. O segundo caso ocorreu quando uma criança de apenas três anos puxou minha filha pela mão, dizendo que iria mostrar seus brinquedos. Ao chegar em seu quarto, ele foi em direção ao livro de minha autoria e lhe mostrou, em seguida pediu para que o lesse. Sua mãe então, contou o quanto ele adorava a história e pedia para ler todas as noites antes dele dormir. Ao Sabê-lo, meu coração se encheu de alegria.
Um comentário sobre o seu primeiro livro. A obra realmente é riquíssima e ensina magnificamente. Aqui em nossa família fez muito sucesso. Lara, nossa pequenina de 3 aninhos, não se cansa de pedir para recontar. Uma obra que, sinceramente, merece e precisa ser mais bem difundida. Uma história que nos leva a refletir sobre a diferença entre educar e instruir, sobre o papel das famílias e do poder público nessas atividades etc. Muito a ver com o que a autora diz na pergunta nº 01 (segunda fase da infância), sobre a solidariedade entre famílias vizinhas, a comunidade… a arte da palavra, da experiência literária ajuda a criança a crescer.
A criança cresce muito, quando vive num ambiente com hábitos de leitura, quanto mais lemos, melhores nos tornamos. Quando escrevi O Professor da Floresta, pensei que o livro seria direcionado as crianças a partir de seis anos, porém com muita alegria recebo informações de crianças mais jovens que apreciam a leitura e sinto-me honrada por isso. Gostaria que o livro alcançasse um número maior de leitores, por entender que a história traz reflexões sobre pontos específicos, como, respeito, empatia, direitos e deveres. Como bem o disse, existe uma grande diferença, entre educar e instruir e, embora, inicialmente a história seja direcionada ao público infantil, ela oferece ponto de reflexão aos adultos, sobre o seu papel e influência na vida de outras pessoas e também sobre suas realizações pessoais. O livro possui um vasto material com temas enriquecedores a serem trabalhados nas escolas.
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Ainda sobre “O Professor da Floresta” (Ed. Viseu, 2019), uma fábula escrita há mais de 20 (vinte) anos, paraboliza uma questão atual: a disputa pelo cargo de professor. Grandes escritores-observadores já registraram que “para o ensino e para a representação política nunca faltam candidatos”. Para Rosilene Alves, quais seriam os atributos básicos para ser um bom professor? E um bom político?
Para ser um bom professor, é necessário o dom para ensinar, a empatia pelo estudante, o amor ao trabalho e senso de justiça apurado.
Um bom político deve ter senso de justiça, empatia pelo povo e legislar principalmente para os menos favorecidos.
A maioria dos contadores de histórias infantis consideram que o enredo precisa se bastar, ou seja, não é preciso dar muitas explicações, justificativas etc. Você toma isso como regra? Comente um pouco mais sobre sua experiência nesse sentido.
Depende do público-alvo, penso que, se tratando de histórias infantis, é necessário desenvolver o tema com muitos detalhes para que a criança possa acompanhar o personagem, torcer por eles e até mesmo se ver como parte da história.
Sobre o segundo livro “Foi você!” (Ed. Viseu 2019), que se destina aos jovens e adultos. São casos insólitos, histórias engraçadas e de gafes, algumas delas traumatizantes. Estilo claro, acessível, fluido e com um narrador despretensioso. O livro é tão divertido quanto útil, em termos de literatura como conhecimento, pois os casos encerram uma variedade de sentidos sobre a convivência humana. Como e quando surgiu a ideia de reunir a coleção das pequenas histórias? Conte-nos um pouco do processo, do plano da obra, da pré-escrita, escrita, redação e editoração final.
A ideia de escrever essas histórias teve como objetivo principal levar entretenimento aos leitores. Como os casos, em sua maioria, me proporcionaram momentos de descontração, e ao contá-los exerciam nos ouvintes o mesmo efeito, pensei em dividir esses momentos com mais pessoas, por isso comecei as escrevê-las. Foi muito divertido fazê-lo e muitas vezes, precisei interromper o processo porque tinha crises de risos. Depois de prontas, a maior dificuldade, foi selecioná-las, para o primeiro livro, uma vez que tenho inúmeras por editar.
O livro FOI VOCÊ relata situações verídicas, diferentes e hilariantes que aconteceram comigo, amigos, familiares, parentes, colegas de trabalho e até mesmo com a minha avó. Quando a notícia de que eu estava escrevendo um livro desse gênero se espalhou, recebi vários relatos de pessoas que me contaram suas gafes ou constrangimentos, aumentando significativamente o meu repertório. Como fonte de trabalho, comecei a prestar atenção nas coisas contadas por pessoas comuns, dentro dos ônibus, nas filas de bancos e por todos os lugares por onde eu passava. Assim, consegui muitos relatos que ficaram para um segundo livro.

Quais critérios a autora utilizou para escolher os títulos de cada história? E quanto ao título do livro?
Foi bem difícil elaborar os títulos para as histórias. Passei muitas horas dedicando-me a isso. Busquei comicamente algo que tivesse a ver com o que estava sendo contado e, ao mesmo tempo, despertasse o interesse do leitor e isso não foi nada fácil.
Quanto ao título da obra, eu queria algo impactante, que remetesse ao leitor à impressão de que suas gafes poderiam estar sendo contadas neste livro e o instigasse a ler.
O nome do livro eu tinha em mente, faltava a ideia para a capa, então, um dia, navegando pela internet, vi uma imagem que me chamou atenção e combinava perfeitamente com o meu propósito. Neste exato momento, decidi como seria. A editora acolheu a minha sugestão e trabalhou nela.
Uma curiosidade sobre as notas da autora: o fato de evitar fazer referências a lugares tais como ruas, bairros e cidades, foi mesmo por temor de sofrer processos judiciais?
Sim. Nem todas as histórias apresentadas foram autorizadas por seus agentes causadores. Algumas pessoas já faleceram, assim sendo, temendo que algum de seus descendentes pudesse se sentir ofendido pela exposição, me resguardei, evitando mencionar os locais. A ideia era colocar todas as histórias protagonizadas por Maria e José, porém, em alguns casos, com mais personagens, precisei utilizar outros recursos, mas, em sua maioria, nomes comuns.
A autora pensou em convidar um outro autor para prefaciar? Ou um comentador para texto orelha?
Por se tratar de um livro divertido, com temáticas livres, é necessário alguém de bom humor para conseguir extrair o melhor das leituras e não é fácil encontrar pessoas dispostas a argumentar em livros que não sejam considerados intelectuais. Assim como no teatro, esse tipo de estrutura ainda enfrenta muito preconceito, embora seja, necessário, admirado, procurado e lido por muitas pessoas como forma de entretenimento.
No conto “A Barbie Frustrada”, a mensagem central insinua uma lição séria a tirar, que envolve ciúmes em família, fugindo um pouco da linha descontraída dos outros casos-contados. Essa diferenciação foi de fato intencional? Ou é apenas um acidente?
Nada neste livro foi acidental. Assim como reuni histórias engraçadas, também acrescentei histórias constrangedoras e essa, além de constrangedora para a Barbie, trás uma lição de vida.
Das obras que estão na gaveta ou no prelo, o que a autora pode adiantar ao público internauta?
Terminei recentemente um romance e tenho iniciado um conto baseado na mitologia grega, um drama em andamento, além de uma autobiografia. Quanto aos infantis, tenho seis livros terminados, aguardando por oportunidades.
Um pouco sobre hábito e necessidade de leitura literária. Há muito tempo considera-se que o desinteresse de jovens e adultos pela poesia, pela prosa imaginária, ou seja, pela leitura de textos artísticos, pode estar relacionado com a pouca experiência de escuta desses gêneros durante a infância. Nas últimas quatro décadas, o poder público, vários institutos e as editoras investiram com força na literatura infanto-juvenil. Mas as pesquisas sobre livro e leitura mostraram que o brasileiro começa a ler cedo e cedo abandona a leitura. Na sua opinião, quais são os fatores e atores que interferem nessa problemática?
Penso que a falta de estímulo dos pais seja um fator de grande relevância. Acredito que, se as crianças fossem levadas a conhecer bibliotecas, museus e recebessem como presentes livros, esse quadro mudaria.
O governo também tem sua parcela, por diminuir os investimentos na área de educação, deixando o ensino obsoleto e desinteressante.
Há atualmente constantes bombardeios midiáticos, políticos e desinformação que acabam por disseminar uma cultura de ataque aos clássicos da literatura, sobretudo aqueles que, em geral, tratam do lúdico, retirando-os das prateleiras, afetando os futuros leitores.
Não posso deixar de trazer a questão gananciosa de alguns grupos editoriais que têm se interessado por temas inapropriados à infância, como, por exemplo, o terror infantil, desencorajando os pais a incentivar a leitura.
A literatura ajuda a criança a crescer, o adolescente a aprender e auxilia no amadurecimento de jovens e adultos. Ouvimos uma variedades de vozes. Vivemos situações no imaginário por meio da ficção e da poesia. Ampliamos, por meio da arte da palavra, experiências teóricas que podemos colocar em prática. Em geral, são esses alguns dos benefícios.Quais os autores mineiros mais reconhecidos que Rosilene Alves indicaria para quem deseja se habituar na leitura artística?
Bartolomeu Campos Queiroz, Walter Lara, Danilo Arnaldo Briskevicz (Autor do livro Triângulo), Jorge Fernando dos Santos (Autor do livro O Rei da Rua).
Ler literatura de novos autores ainda é considerado uma espécie de sacrifício? Como poderíamos conscientizar alfabetizados porém não-leitores? A autora acompanha críticos ou jornalistas culturais que poderiam ajudar nesse sentido?
Não vejo como sacrifício ler novos autores, entendo como sacrificante a vida deles, que precisam de muito esforço para apresentar seus trabalhos e de quem os indique. Tomo para mim essa verdade, pois os meus livros são muito lidos através de plataformas específicas e, mesmo com grande relevância, ainda não foram indicados ao MEC.
Penso que a forma de conscientizar alfabetizados não leitores seria através do acesso a livros de entretenimento que às façam sorrir, depois de longas horas de trabalho, trazendo leveza as suas vidas. Acredito que esse acesso traga novamente o amor pela leitura e quem sabe mais tarde, para temas mais complexos.
Estou sempre buscando saber algo sobre cultura, conhecendo novos autores e lendo notícias do meio. Sou membro do conselho de cultura da Cidade de Santa Luzia, porém não sigo ninguém em específico.
Estímulo à produção literária e revelação de autores. O Concurso da Prefeitura de Santa Luzia (2001) revelou, dentre outros trabalhos, a sua prestigiada fábula. A partir daquele ano, eventos artísticos de competição passaram a ser substituídos por sarais temáticos, mostras, feiras e festivais segmentados por estilo e linha de expressão. Nestas últimas duas décadas, o que você observou no que diz respeito aos esforços para se revelar talentos ou abrir oportunidades aos novos escritores? Em Santa Luzia e em Minas, particularmente.
No setor privado, muitos editais de concurso vêm sendo amplamente divulgados, no entanto, algumas dificuldades, como a unificação do concurso para infanto/juvenil, proporcionaram muitas desigualdades uma vez que a linguagem, recursos e quantidade de laudas são diferentes para cada grupo, ficando em desvantagem a premiação de autores voltados ao público infantil.
Não vi grandes esforços, inclusive as leis de incentivo à cultura, que a princípio deveriam ajudar os artistas, disponibilizam pouco recurso para a confecção de livros, alimentando apenas a cadeia produtiva.
Não é fácil abrir portas para publicação e enfrentamos também dificuldades em alguns concursos literários, que premiam apenas livros já editados, dificultando a apresentação de novas obras ao mercado. Outros promovem concursos em que classificam, por gênero, como iniciante, autores já editados, reduzindo absurdamente o valor da premiação.
Música e literatura. Acredita-se que a música mista: ópera, canção, cordel, embolada, desafios, enfim, números com texto em verso, ajudam bastante no desenvolvimento da interpretação literária. Conte-nos um pouco sobre sua experiência com o coral de música e com a produção teatral.
Trabalhei durante seis anos para um coral de meninos cantores de Santa Luzia (MG), onde exerci a função de diretora de eventos, serviço este voluntário. Era de minha responsabilidade divulgar o coral, bem como a sua manutenção. Para isso, foram feitos eventos diversos, muitas apresentações em diversas cidades mineiras, como também no Rio de Janeiro e Santa Catarina, além de participações em programas de televisão, congressos, casamentos, empresas privadas, entre outros.
Como corista, participei do Coro Angélico por quatro anos, realizando assim um sonho de infância. Como produtora cultural, trabalhei na venda do espetáculo teatral infantil, A Princesa Engasgada, pela extinta Produtora Submarino.
Essas experiências trouxeram-me grande conhecimento artístico e pude, com isso, assumir um cargo de coordenadora cultural pela Associação de Promoção Humana Divina Providência, quando coordenei o setor de oficinas onde eram ministrados cursos de música, teatro, dança, canto coral e pintura artística.
Uma deixa sobre a Moção Honrosa no ano de 2019, pela Câmara Municipal de Santa Luzia e sobre a sua atuação na Academia de Letras e Artes de santa Luzia (ALUZ), sobre a importância do reconhecimento público, dos eventos, grêmios literários e academias de escritores.
Fui indicada pelo então vereador Neilor Audrin Vieira Cabral a receber a Moção Honrosa pela relevância dos serviços prestados na área cultural ao município de Santa Luzia, envolvendo também a literatura. Esse reconhecimento me deixou muito honrada e grata ao vereador, apreciador da arte, que voltou o seu olhar à minha pessoa.
Recebi do senhor José Rodrigues de França, então presidente da Academia de letras e Artes de Santa Luzia, o convite para ser membro, onde ocupo a cadeira de número 32. Também recebi das mãos do presidente o diploma de honra ao Mérito.
A Academia é um órgão de muita importância e relevância, mas enfrenta muitos problemas por falta de incentivo do poder público, não tendo ainda um espaço físico seguro para manter os trabalhos. Porém, luta bravamente, levando seu nome através de seu presidente a várias cidades mineiras.
O pensador pós-moderno Gilles Deleuze teria dito, por volta da década de 80, que o narrador literário (cronista, contista, romancista) exerce a memória e a reminiscência, pois relata determinados fatos, atos, constrói e descreve espaços e personagens. Para ele, as lembranças seriam uma forma de recuperar verdades e valores perdidos ou esquecidos. Na sua opinião, a literatura brasileira contemporânea deveria recuperar quais verdades e quais valores?
Penso que cada época traz consigo suas verdades, assim sendo, devemos manter o respeito acima de nossas opiniões e gostos pessoais, este seria um dos maiores exemplos e dos melhores valores que devemos preservar, pois o público é diverso assim como os gostos e estilos.
Nossos agradecimentos pela participação e até a próxima.

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Imagem coleção lar. Casa Nacional do Livro, anos 60.










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