ao vazio nas redes – poesia

ao vazio nas redes

o real é o real — a rainha Realidade reina pelos mundos

não há que temer as certezas, amores: o certo é o certo;

o torto é o torto; há curvas, há retas e há os desencontros,

e não há que se ter prazer em ventos de fedores imundos.

Só porque se dizem soltos das réguas, uns tais transumanos

vendem-se bonzinhos, estufam o peito, alargam os ombros,

espalham-nos buracos ôcos, sonham tudo-muito só de astutos

São vôos sem planos, rotas sem bússolas, cenas sem fundo!

Querem desconstruir o que nem sequer esboçariam, ô dó!

Esvaziarem o que não encheram?! Fazer-nos de meros robôs?!

Almas não se esburacam como se dá em contrapisos chôcos…

Nas cheias há respiros, abasteceres, devagares e bons retornos

O vazio pode de ser espaço, mas primeiro da solidão, e só depois

da felicidade, da beleza e da liberdade, mas jamais do abandono.

Este site pertence ao compositor e escritor Lopes al’Cançado Rocha, o Cristiano. Disponibiliza gratuitamente aos internautas experiências de conhecimento e conteúdo para pesquisa. Clique no link a seguir para saber dos serviços que o autor oferece: https://pingodeouvido.com/cristiano-escritor-e-redator/

ANO VELHO & ANO NOVO [poema

ANO VELHO & ANO NOVO

Edmo Frossard Paixão

ANO VELHO

Trôpegamente com seu passo brando,

Apoiado ao bordão, pelo caminho

O Ano Velho vai, devagarinho,

Um saco às costas de ilusões levando.

§

Borboleteiam pela mente em bando

Os sonhos do passado; e de mansinho

Dos macilentos olhos do velhinho

Rola uma lágrima de quando em quando.

§

Nascera um dia, fôra môço e agora

Desiludido pela vida chora

Enquanto a sós caminha para o além.

§

Quando vier nos procurar a morte

Teremos do Ano Velho a mesma sorte:

De soluçarmos ao partir também…

(…)

ANO NOVO

Ia saindo o Velho, eis senão quando

A deslizar do tempo sobre a estrada

Uma lambreta chega em disparada

O Ano Nôvo, às pressas, transportando.

§

Blusão vermelho e meias combinando

Vem solfejando em cima da almofada

Do “rock and roll” a música adoidada,

Despreocupado feito um Marlon Brando.

§

Ao divisar o Velho no caminho

Todo alquebrado, o frívolo mocinho

Gritou de longe: Vai, meu velho, em paz!

§

O Ano Velho olhou-o tristemente

Como a prever um trágico acidente

E respondeu-lhe: Sê feliz, rapaz!

Da coleção de poesias “Uma lua no céu”, publicado em 1961.

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