Casa do mundo – poema

CASA DO MUNDO

Lopes de la rocha

Casa_do_mundo

 

Todo santo dia nalguma hora me levanto

Não sei se muito tarde ou muito cedo

Pois nem lua nem sol sequer desponta

Nem um galo errado nos avisa com seu canto.

 

Planto os pés no chão frio do meu quarto

Miro o corredor, crio coragem e ando

Urino, agora, com muito alívio no banheiro

Abro os olhos, penteio-me, lavo a boca e o rosto.

 

Sorrio-me ao espelho.

 

Passo pela cozinha e pelo serviço

Já da porta para o quintal avisto meu poço

Aproximo, puxo a tampa e inclino-me com a cabeça

E sopro bastante. Tão leve e suave sôpro

Que apenas a mim mesmo ouço.

 

Uma vez ou outra; muito de vez em quando

Um eco lá do fundo me responde:

“Por Deus e por amor… não me esqueça

Socorro! ”

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