Os Monstros, de Olavo Bilac

Imagem retirada da capa de “Bilac: Tempo e Poesia” (1965), de Osmar Barbosa.

Os Monstros

Não me perdi numa ilusão…Perdi-me

Na existência, entre os homens. E encontrei-os,

Vivos, bem vivos! — estes monstros feios,

Cujo peso afrontoso a terra oprime

Mas há monstros no bem, como no crime:

Outros houve, que em hinos e gorjeios

Talvez viveram e morreram, cheios

De extrema formosura e ardor sublime

Ah! No dia da cólera tremenda,

Os monstros bons, agora fugitivos

Desta míngua de fé que nos infama,

Ressurgirão no Epílogo da Lenda:

Os mortos voltarão varrendo os vivos,

E os maus se afogarão na própria lama.

Ouça com narração do Mundo dos poemas

Os Monstros | Poema de Olavo Bilac com narração de Mundo Dos Poemas