ao vazio nas redes – poesia

ao vazio nas redes

o real é o real — a rainha Realidade reina pelos mundos

não há que temer as certezas, amores: o certo é o certo;

o torto é o torto; há curvas, há retas e há os desencontros,

e não há que se ter prazer nesses ventos de ares imundos.

só porque se dizem soltos das réguas, uns tais inumanos

vendem-se como livres, estufam o peito, alargam os ombros

espalham-nos buracos ôcos, sonham tudo só de “espertos”

são vôos sem planos, rotas sem bússolas, cenas sem fundo.

querem desconstruir o que nem sequer esboçariam, ô dó!

esvaziarem o que não encheram?! Fazer-nos de meros robôs?!

almas não se esburacam como se dá em contrapisos chôcos…

nas cheias há respiros, abasteceres, devagares e bons retornos

o vazio pode ser espaço, mas primeiro da solidão, e só depois

da felicidade ou da beleza; da liberdade, jamais do abandono.